quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Antes que Seja Tarde


Amigo,
tu que choras uma angústia qualquer
e falas de coisas mansas como o luar
e paradas como as águas de um lago adormecido,
acorda!

Deixa de vez as margens
do regato solitário onde te miras
como se fosses único e só.

Abandona o jardim sem flores
desse país inventado
onde tu és o único habitante.

Deixa os desejos sem rumo
de barco ao deus-dará
e esse ar de renúncia
às coisas do mundo.

Acorda,
liberta-te dessa paz podre de milagre
que existe apenas na tua imaginação.

Abre os olhos e olha,
abre os braços e luta!

Amigo,
acima de tudo
nasce de vez para a vida.

Adaptado de Manuel da Fonseca, in "Poemas Dispersos"

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